Jairo Coelho
Mãe: o milagre diário que Deus deixou na Terra
Entre milagres silenciosos, amor incondicional e conselhos que transformam vidas, uma reflexão emocionada sobre a genialidade de existir um dia dedicado às mães.
Amor que acolhe, protege e transforma: mães são o milagre mais bonito da vidaHá uma genialidade rara na ideia de criar um dia dedicado às mães. Em meio a tantas datas que celebram conquistas, profissões, produtos e acontecimentos históricos, alguém percebeu que existia uma figura que merecia mais do que homenagens ocasionais: merecia um dia inteiro. E talvez até isso seja pouco. Porque mãe não cabe em calendário. Mãe é presença permanente.
Eu sempre pensei que mãe é Deus disfarçado para cuidar da gente. Não falo isso apenas pela fé, mas pela experiência. Existe algo de sagrado em uma mãe. Há um amor que não se explica pela lógica humana. É um sentimento que resiste ao tempo, ao cansaço, às dificuldades financeiras, às noites sem dormir e até às dores que os filhos provocam sem perceber. Mãe continua ali. Firme. Inteira. Mesmo quando está em pedaços.
E mãe faz milagre. Pelo menos a minha faz. Fez a vida inteira.
Ela domina o milagre da multiplicação como ninguém. Quando a comida é pouca, misteriosamente dá para todo mundo repetir e, às vezes, ainda sobra. Quando o dinheiro parece insuficiente, ela encontra uma forma de fazer sobrar dignidade dentro de casa. Até hoje não entendo como consegue.
Minha mãe também sempre teve o milagre da cura. Não é apenas o remédio caseiro, o chá, a receita improvisada ou a mão na testa para medir febre. É algo maior. É a capacidade de aliviar dores que a medicina não alcança. Às vezes basta uma palavra dela para diminuir um sofrimento inteiro.
E existe ainda o milagre da conversão. Porque mãe tem uma habilidade única de nos colocar no caminho certo sem precisar levantar a voz. Há conselhos que entram no ouvido e ficam guardados para a vida inteira. Muitas vezes, só entendemos anos depois que aquela frase simples dita na cozinha é na verdade, uma lição definitiva sobre caráter, honestidade e amor.
Talvez por isso mãe seja sagrada. Porque ela participa diariamente da construção invisível da nossa existência. Enquanto o mundo aplaude grandes líderes, empresários, artistas e autoridades, são as mães que seguem sustentando silenciosamente famílias inteiras, formando cidadãos e ensinando valores que nenhuma escola consegue transmitir sozinha.
E se existe uma injustiça inevitável da vida, é o fato de mães não viverem para sempre. Elas deveriam viver. O mundo seria menos duro, menos frio e menos egoísta se toda pessoa pudesse ter eternamente o colo de uma mãe disponível em algum lugar.
Neste Dia das Mães, mais do que flores, presentes ou mensagens prontas, talvez o maior gesto seja reconhecer o milagre diário que elas representam. Porque mãe não é apenas alguém que gera uma vida. Mãe é quem sustenta a nossa humanidade.
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Jairo Coelho é jornalista e mestre em Teologia



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